sábado, 3 de novembro de 2012

Sangue na Rua 18. pt.1 O Acomodado

Através do vidro, seus olhos passam pelos rostos, que passam as dezenas por segundos. As imagens não param, árvores, postes, luzes, casas, um turbilhão de pessoas que parecem correr na direção contrária. Nada de espetacular, o cotidiano por muitas vezes é tedioso. Como aquelas velhas pessoas normais, a velha confusão de luzes, tudo tão sem graça, tão monótono. É fim de tarde, e o dia de trabalho foi novamente um saco. Está cansado da sua vida, mas não quer muda-la. Talvez por medo, ou, só preguiça mesmo. Viram em uma rua escura. "Rua do desespero" diz a placa invisível. Pessoas caídas ao chão. Estão vivas? Crianças choram com o medo na alma, a fome nos lábios e a Morte ao lado. É um cenário lastimável, mas não o impressiona. Estão ai porque querem, ninguém liga. A culpa não é minha. A culpa não é minha... Faz um sinal pro motorista levantar os vidros. É uma região perigosa, com pessoas perigosas, a dor e o medo as vezes sobem a cabeça e alimentam a insanidade. Escárnio da sociedade! O farol fecha. Maldição! O carro para solitário entre os desesperados que apenas olham. Um homem maltrapilho se aproxima. Coração dispara. Bate no vidro. Não dá atenção, fica imóvel. Bate novamente. Abre o vidro vagarosamente. O senhor poderia me dar uns trocados? Estou sem comer a dias! - Ele não pede muito, mas sua pele suja, seu odor, seus trapos, despertam a frieza do homem. Bebum maldito, porque não vai embora? As palavras duras e cheias de ódio gratuito saem apenas em pensamento. O maltrapilho insiste. O sinal conta regressivamente 10, 9, 8... Continua imóvel. O que fazer? 7, 6... O tempo se arrasta por uma eternidade. Tira algumas moedas do bolso e estende pelo vidro meio aberto. Treme de medo. 5, 4... Nos olhos do maltrapilho pode-se ver a dor, o medo, o sofrimento... Ele pega as moedas e põe no bolso... O mesmo bolso que... Surpreende-se. Um lapse de ódio invade seu corpo. No bolso há uma arma. Segura-a. 3,2... Aponta para o homem que fica imóvel dentro do carro. Obrigado. 1... Dispara. O sangue escorre pela testa enquanto ele observa admirado. O corpo cai abrindo a porta do luxuoso carro. O sangue mancha a rua. Rua perigosa, com pessoas perigosas. É que as vezes o medo e a dor transformam-se em loucura. No escárnio da sociedade, na sarjeta do mundo, a loucura, suja de sangue e glória, alimenta-se de medo e pesadelos. Mas só se sacia com sangue dos acomodados. 

sábado, 11 de agosto de 2012

Distração

Saiu de casa, era cedo. A leve neblina a impedia de ver o topo dos prédios, e fechava como uma cortina clara e fria o fim da rua. Só os passos dela podia se ouvir. Tirou seus fones de ouvido do bolso. Antes que pudesse coloca-los e entrar em outra dimensão, um estrondo ao seu lado a fez pular de susto. Era apenas aquele velho cachorro chato com  a fuça no portão... A manhã estava estranha... Olhar para frente. Continuar a andar. A neblina continuava a cair como açúcar. Dois grandes faróis, cortaram a cortina branca. Colocou seus fones e a sinfonia de guitarras desesperadas ecoou em sua mente. Anda sobre a linha de tinta no chão. Os faróis iluminam ao longe o seu esguio corpo. Distração. Pensava no que diria ao garoto bonito da escola quando ele se aproximasse... Na prova de literatura... Distração. Cantarolava baixinho a letra confusa da musica. Andava devagar. Olhos fechados e ritmo marcado. Os faróis avançavam em sua direção. Distração. Cada vez mais perto. Um barulho cortou a harmonia de seus instrumentos. Os faróis estavam perto demais. O sangue voou e manchou a rua, enquanto as guitarras continuavam a gritar desesperadamente.

Cúmplice Lua.

Deitam-se sob a luz do luar. Olhares apaixonados, juras impossíveis de amor. Os coraçõezinhos batem em perfeita harmonia. Os dedos encaixam-se sistematicamente, perfeitamente. Parecem um só. As palavras baixinhas e tremulas ecoam pela escuridão da noite. Apenas a Lua é cúmplice desse amor juvenil. Os corações aceleram... Os corpos sujos de terra, as camisas molhadas de suor. Era uma noite quente de verão. As palavras voavam com a leve brisa que esvoaçava o cabelo da garota e a fazia parecer um anjo aos olhos do menino. No céu apenas a Lua solitária, Lua cheia e solitária. "O que houve com as estrelas?", "foram dormir?", "Uma vez minha mãe me disse que quando uma estrela some, ela vira uma pessoa.", "então eu era uma estrela que se apaixonou por você e virou eu pra vir ficar com você..."Risadas e silêncio. Um amor simples, puro, ingênuo. Palavras que apenas a Lua escutaria. Pequenas promessas ao pé do ouvido. Olham-se. Olham-se e os olhares dizem coisas que apenas o coração é capaz de entender. Os corações pulam, aceleram, gritam... As faces se aproximam... Olhos nos olhos. Vergonha. Medo. Amor. As faces ficam cada vez mais próximas. A Lua observa encantada. Finalmente os pequenos lábios se encontram no mais profundo gesto da paixão.

Quando?

Quando seu coração parar de bater, quando você pensar em se esconder, Olha para o lado e irá me ver. Quando você não sentir mais o seu coração, quando você se ver dentre a escuridão, Deixe-me segurar tua mão? E se você se sentir sozinho, se precisar do meu carinho, saiba que nos meus braços você sempre encontrará um lugar para sempre ficar. Quando sentir o céu cair, se pensar em desistir, e seu choro tiver que engolir, ao teu lado eu estarei e forças eu te darei. Se você quiser abrigo, se precisar de um amigo, se quiser sair da escuridão, segure minha mão? Quando você se sentir caindo, E sua lágrima escorrer, não tente se esconder, Olhe  para o lado e você irá me ver.

(Des)Ilusões

Quarto escuro. Breu. Olhos abertos ou fechados não faz diferença. Continua a ver os rostos com que sonhara. Fechou e abriu os olhos, a escuridão era a mesma. Que horas seria? Não importa, é domingo. Os rostos voltaram a voar sobre sua cabeça. Os olhos reviravam, o coração disparado, seu corpo suava. Na cama ainda úmida, sentiu novamente o medo. O estranho medo daquele antigo pesadelo, aqueles rostos o atormentava durante toda a infância, mas por que voltar agora? Já era um homem! Não se prendia mais às rédeas que o controlavam quando jovem. Hoje era um homem livre. Nenhum temor o assombrava há tempos... Então por quê? Por que voltar agora? Por que aqueles rostos o faziam tremer novamente? Um feixe de luz saiu pela janela direto em sua testa, a claridade o forçou a fechar os olhos como quem diz "Vamos enfrente o seu medo!" Os rostos iam e vinham, iam e... Ele forço os olhos, não queria mais ver aquilo, mas queria saber o que aconteceria a seguir. Os rostos - que iam e vinham - se misturavam com pensamentos fúteis do dia a dia, que se ligavam por fios de prata a lembranças da bela moça da noite passada, e ligavam-se as tristes lembranças de sua infância. História sem fim, piada sem graça, desenho sem cor... Entre suas (des)ilusões e devaneios, ouviu delicados passos adentrarem no quarto, em seu mundo de medo e devoção. Quase num ato desesperado saltou da cama, mas era só a bela moça da noite passada, que logo o fez esquecer de seus pesadelos. 

sábado, 14 de julho de 2012

Welcome :3 (Apresentação do Blog)


Um lugar onde as palavras entram voando pelos vitrais, carregadas pela brisa das montanhas. E se juntam em uma doce e sutil dança, cheia de mistérios, sonhos distorcidos, romance, e uma pitada de medo...
Sejam bem vindos, ao mundo onde nada é impossível, e o rumo da história é você quem dá.
Onde cada espaço em branco está esperando pela sua imaginação para ser preenchido, e a história muda a cada vez que você a lê. 
Onde os príncipes e as princesas se aposentam, e dão lugar a personagens do dia a dia, refletidos num espelho de ilusões e devaneios. Onde os reis e as rainhas viraram assassinos, ou garotinhas assustadas. E o 'Felizes para sempre' é só mais um pesadelo cortado pela metade... 
Sejam Bem vindos ao lugar, onde nada é o que parece, onde as pessoas não são o que aparentam, onde o bem e o mal se misturam e dançam entre a luz e as trevas.

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Uma confusão de palavras, pensamentos, e pessoas que se misturam à toda hora com sentimentos que brincam de roda, e lembranças que sonham olhando as estrelas. Tudo isso debaixo de uma laranjeira que perfuma o ar com cheiro de amor, e brinca com o vento que lhe balança as folhas derrubando notas de melodia. Acontece tudo ao mesmo tempo agora, num lugar não muito perto, nem muito longe, apenas dentro da sua imaginação, ou seria do seu coração? Os portões estão abertos, os visitantes podem entrar, sejam todo bem vindos ao CASTELO DE CONTOS!!




sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Dança da Luz e das Sombras. (O vulto na noite)

Abre seus olhos em meio a imensidão escura. Escuta um sussurro baixinho ao seu lado, não compreende o que diz, e não pode enxergar o que é. Talvez sinta um pouco de medo neste momento. Talvez volte a dormir. Senta-se em sua cama, olha a hora... Ainda restam algumas horas de sono... Mas será que conseguirá dormir? Ouve o sussurro mais uma vez. O que ele diz? Deita-se e deixa que seu pensamento voe até um lugar distante. Mas a voz continua a chamar e chamar... O medo está começando a tomar forma. E essa forma começa a incomodar... Tenta dormir, mas o medo continua lá, ao seu lado chamando-a. Sente uma leve carícia em seu rosto. Não enxerga nada. As mãos frias deslizam por sua face até seu cabelo espalhado pelo travesseiro. A voz que antes causava-lhe medo, agora tornou-se amena e a acalma. Mas a forma de vulto na escuridão ainda parece assustadora... Ela resolve tentar vê-lo... Sua curiosidade é maior que qualquer medo. Pega seu celular e aperta qualquer botão. Vira a luz para o lado onde acha que o vulto está, mas a unica coisa que vê é a parede ao seu lado. Fecha os olhos e pede por pensamento que apareça... Abre os olhos. Nada. Apenas a parede com seu claro e deprimente branco encardido...  Vira-se e aponta a luz do celular para o resto do quarto. Ursos de pelúcia, bonecas, posters, roupas, tudo que compõe seu mundinho. Mas aquela ''coisa'' ainda está ali... Em algum lugar, e ela tem que acha-lo. Sua curiosidade é intensa. Joga seu celular para debaixo da coberta e fica com os olhos arregalados na esperança de ver algo no meio daquela enorme escuridão. A voz volta a chama-la ao lado de sua cama... Agora a voz é mais clara, e chama seu nome... Sente seus cabelos sendo acariciados levemente. Ela pede para que ele apareça, mas a voz fica mais fraca e a carícia para. Alguns instantes se passam. Ela acende a luz do celular novamente e balança a luz pelas paredes do quarto. Como em uma dança entre a luz e as sombras, o vulto passa pela luz e se esconde nas sombras. Por que não aparece? Ela pergunta. A voz responde rouca do outro lado do quarto. A resposta é baixa, e quase impossível de se compreender. Ela continua com a luz, seguindo os ruídos... Nada se vê... Parece que o vulto se escondeu de vez... A luz ainda dança pelas paredes encardidas. Entre um urso e o guarda roupa, ele a olha. Uma garota tão linda. Mas como pode isso? Como pode um monstro... Ela continua implorando para que ele apareça. Ele resolve então mostrar a ela sua face...  Como ela reagiria? Afinal, garotas não se apaixonam por monstros... Ele pede, ao pé do ouvido dela que ela apague a luz do celular. Ela joga o celular debaixo do travesseiro. Ele pede para que ela fique com os olhos fechados por um instante. Ela cerra seus olhos imediatamente. Ele se aproxima de seu delicado rosto, e ela abre os olhos... Dois grandes olhos amarelados e brilhantes é a primeira coisa que vê. Cicatrizes pela face pálida e gélida, a boca negra com um leve sorriso sem jeito. Ela se assusta e ele some. Alguns instantes no silêncio. Desculpa! Apareça! E ele se aproxima novamente. Dessa vez coloca sua mão, tão branca e fria quanto as paredes do quarto, na face da garota em uma leve e delicada carícia. Ela em resposta coloca a mão sobre o rosto dele, e se aproxima. A pele da garota é quente, e seus olhos cheios de vida. O monstro aproxima sua face gélida e cheia de cicatrizes cada vez mais... Os olhos estão fixos um no outro. Ele vê dois olhinhos negros como o resto daquele quarto frio. Ela já não sente medo, e aproxima seus lábios da boca daquele que à alguns instantes lhe causava medo. Os lábios quentes dela tocam levemente os lábios negros e gelados do monstro. Nenhum dos dois fecha os olhos. 
Pula da cama. coração disparado. Medo e paixão ao mesmo tempo. Onde está? Olha ao redor e reconhece seu quarto... O que foi isso? Foi tudo um sonho? Tanto faz. Seis horas. Precisa se arrumar para escola.
Entre um urso e o guarda roupa, ele a olha... A olha ir... Para ela foi um sonho apenas, mas para o monstro, a liberdade de sua alma. Atrás das cicatrizes, atrás das marcas e da aparência mórbida, bate ainda um coração vivo.

domingo, 1 de julho de 2012

Fantasma


Você sabia que às vezes me assusta
Quando você diz meu nome e eu não posso te ver
Será que você vai aprender a se materializar antes de falar?
Garoto impetuoso, se é isso que você realmente é
Quantos séculos passaram desde que você pediu uma bebida em algum balcão?
Ou você faz isso toda noite, com outra pessoa?

Você me diz que nunca me deixará
E eu estou quase com medo de acreditar nisso.
Por que fui eu a escolhida por você para seguir?
Você gostou do meu jeito quando eu durmo?
O meu cabelo foi mais divertido de embaraçar?
Meus sonhos são mais divertidos?

Você ri quando eu acho que estou completamente sozinha?
Onde você esteve quando eu procurei no mar um amigo com quem conversar?
Em um ano, onde você estará?
É suficiente para você roubar minha mente
Preenchendo minha página com música escrita em minha mão?
Você sabe que eu levarei o crédito por eu ter feito você vir à mim, de algum jeito.
Mas, por favor, tente fechar as cortinas quando você sai à noite
Ou eu terei que achar alguém para ficar comigo e me aquecer

Você sentiria minha falta em mil anos?
Ou você vai enxugar as lágrimas de outra pessoa?

Mas você diz que nunca me deixará
E eu me pergunto se você terá a decência
De passar pela parede até outro quarto
Quando eu me visto para o jantar.

Mas enquanto eu estou presa na conversa
Onde você está?
Você não pode cortar quando eu danço com outro homem?
É muito tarde, não interfira na minha vida.
Você já me fez uma quase uma esposa não adequada
Para qualquer homem que quer ser o primeiro a dormir com sua noiva.

E você não pode simplesmente voar até o quarto das pessoas
E então esperar que elas calmamente acenem um tchau.
Você mudou o rumo da história
E nem tentou
Onde você está?
Atrás de mim,
Pegando minha mão
Venha e lembre-me
Quem é você?
Você veio de longe?
Você é feito de pó de estrelas?
São anjos depois de você
dizendo o que devo fazer?
Eu vou guardar seu espaço na cama
Venha e cante para eu dormir.