sábado, 11 de agosto de 2012

Distração

Saiu de casa, era cedo. A leve neblina a impedia de ver o topo dos prédios, e fechava como uma cortina clara e fria o fim da rua. Só os passos dela podia se ouvir. Tirou seus fones de ouvido do bolso. Antes que pudesse coloca-los e entrar em outra dimensão, um estrondo ao seu lado a fez pular de susto. Era apenas aquele velho cachorro chato com  a fuça no portão... A manhã estava estranha... Olhar para frente. Continuar a andar. A neblina continuava a cair como açúcar. Dois grandes faróis, cortaram a cortina branca. Colocou seus fones e a sinfonia de guitarras desesperadas ecoou em sua mente. Anda sobre a linha de tinta no chão. Os faróis iluminam ao longe o seu esguio corpo. Distração. Pensava no que diria ao garoto bonito da escola quando ele se aproximasse... Na prova de literatura... Distração. Cantarolava baixinho a letra confusa da musica. Andava devagar. Olhos fechados e ritmo marcado. Os faróis avançavam em sua direção. Distração. Cada vez mais perto. Um barulho cortou a harmonia de seus instrumentos. Os faróis estavam perto demais. O sangue voou e manchou a rua, enquanto as guitarras continuavam a gritar desesperadamente.

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