sábado, 14 de dezembro de 2013

A casa da árvore. (+18 ounão hahahha)

            Eu caminhava ao lado de Matheus e riamos das histórias de terror que Giulia me contou em sua festa. É claro, que em uma festa de 13 anos o nosso principal assunto eram esses contos horríveis. Caminhamos ao longo de toda a rua, sob meia luz... A iluminação daquela parte da cidade era realmente precária. Até que chegamos a pracinha, que aliás, era enorme. Havia árvores grandes e um imenso gramado, os postes de luz estavam em sua maioria quebrados e a luz dos que estavam inteiros, oscilava... Segurei no braço de Matheus e pedi para que me acompanhasse até o outro lado da praça. Ele não podia, precisava chegar logo em casa, tínhamos horário para estar em casa. Eu morava ao norte da praça, e ele só precisava virar a rua. Então era isso, eu iria sozinha.  Despedimos-nos e ele dobrou a esquina. Adentrei no imenso e escuro gramado. O vento balançava as folhas das árvores e eu caminhava quase correndo. Ia pisando em folhas secas, grilos cantavam, e o barulho do vento me arrepiava. Lembrava-me das histórias de Giulia e tremia, imaginando que a qualquer momento uma mão poderia saltar do chão e me agarrar pelos pés. Matheus, maldito, por que não me acompanhou? Ouvi um barulho logo atrás de mim e meu coração disparou. Olhei, com medo do que iria ver, mas não era nada além de um cão revirando o lixo.
            Respirei fundo.
            Ao longe eu podia ver uma silhueta. Estava parado ao lado de um poste iluminado. Era um homem. Por um instante fiquei com medo, não conseguia ver o rosto dele para saber se o conhecia... Depois pensei direito e o medo passou, afinal, se uma mão meio morta meio viva saltasse da grama e me agarrasse pelos pés, ele veria e com certeza me ajudaria.  Continuei caminhando, e a silhueta foi tornando forma mais nítida. O que era apenas um vulto negro, agora era um homem, de aparentemente 35 anos, com um paletó preto, gravata, e uma maleta. Um possível empresário que se perdera por ali... Tinha uma aparência agradável, cabelos negros bem penteados, pele alva, era alto... Mamãe iria se interessar por ele. Pensei. Me aproximei encarando-o, ele sorriu. Eu estava a alguns passos dele quando ele perguntou:
-- Como se chama garota?
Eu parei e olhei-o nos olhos... Tinha belos olhos, castanhos esverdeados que refletiam a luz oscilante entre nós.
-- Bianca... Mas quase ninguém me chama assim, me chamam de Bia... E você, como se chama?
Ele adiantou-se alguns passos sorrindo. Estava agora a menos de um metro de mim e me estendeu a mão.
-- Você já viu a casa na árvore que tem aqui?
            Apontou pra uma árvore, e eu balancei a cabeça sinalizando que não. Ele segurou minha mão e deu alguns passos. Eu fui junto. Comecei a pensar que não era seguro, que minha mãe me mataria se soubesse... Hesitei. Ele parou, olhou firmemente em meus olhos e sorriu.
-- Não precisa ter medo, eu só preciso que alguém cuide dela para mim. Eu fiz para meu filho, mas ele só volta da casa dos avós daqui três dias... Preciso de alguém para cuidar da casinha enquanto isso... Por favor?
            Como eu poderia dizer não? Então caminhei ao lado dele, ainda segurando sua mão.  Nos afastamos cerca de cinco metros do poste iluminado, e chegamos a uma grande árvore, parecia a maior de toda a praça.  Paramos e olhamos a casinha no topo por alguns instantes. Não era muito grande, mas me parecia legal... Que criança nunca sonhou com uma casa na árvore? Ele puxou uma corda e uma escada se desenrolou até o chão. Fiquei surpresa, por mais simples que fosse aquilo me fez brilhar os olhos. “Matheus iria adorar isso.” Pensei. Subi primeiro. Ele veio logo atrás de mim, quando cheguei ao topo, a casinha estava escura, mas apesar da penumbra alguns raios de luz passavam pelos orifícios da madeira então eu pude ver, havia um colchão no chão, um pote de doces de um lado e algumas velas do outro. Ele subiu. Acendeu as velas e então eu vi, havia realmente fotos do filho dele, por toda parte. Era um garoto aparentemente mais velho que eu, talvez tivesse uns quinze anos... Era bonito, cabelos escuros e um belo sorriso. Tinha os mesmos olhos que seu pai. A casinha que parecia pequena por fora, era na verdade um tanto quanto espaçosa. Então ele trancou a portinha por onde entramos. Me assustei com o gesto, mas não dei muita importância. Segurei algumas fotos e comecei a olhar. O homem estava sentado no colchão. Então eu percebi uma pequena janela. Me virei de costas para ele e olhei pela janela. A vista era linda. Fiquei alguns minutos olhando. Senti que ele se movia, mas não tirei meus olhos da paisagem. Ele se aproximou de mim por trás, e antes que eu me virasse me segurou e colocou um pano sobre minha face. Desmaiei.
            Meu corpo estava dormente quando acordei. Estava tonta. Mas percebi que ainda estava na casa da árvore. Tentei mexer meus braços, estavam amarrados. O mesmo com minhas pernas. Estava nua, tremendo de medo, de frio... Senti algo escorrendo pelo meu pescoço... Era quente e viscoso. Na hora entendi que era sangue. Tentei gritar, senti uma dor enorme na garganta. Cuspi sangue. Tentei me sentar chorando, mas duas mãos seguraram meus ombros e os empurraram para baixo. Cai deitada novamente. Olhei para cima e vi o homem que antes tinha uma aparência agradável e simpática, agora estava com a face ensanguentada e tinha um sorriso sádico e doentio. Tentei implorar para que me deixasse sair, mas novamente a dor insuportável na garganta, e nada de voz sair. Cuspi mais sangue. Ele ria, gargalhava.
            -- Você dormiu por vinte minutos minha querida, e foi o tempo suficiente para eu dar um jeito na sua delicada voz de anjo...
            Ele puxou sua maleta e a abriu. Dentro havia tesouras, alicates, facas, e outros instrumentos de cirurgia. Todos ensanguentados. Tremi. Ele tirou uma pequena caixa, e a abriu me mostrando o que havia lá dentro. Um pedaço de pele e músculo encoberto de sangue. Aquilo me revirou o estômago.  Ele Sorriu.
            -- Vai vomitar? -- Soltou uma gargalhada. -- Eu não faria isso... Removi suas cordas vocais para que não pudesse gritar... O silêncio é maravilhoso não? Se vomitar sentirá tanta dor que é possível que desmaie novamente... E não queremos isso não é querida? -- Tocou minha face, acariciando-me delicadamente -- Quero você bem acordada, para ver e sentir tudo que farei contigo...
            Incessantes lágrimas escorriam pelo meu rosto, se misturando com o sangue que escorria de minha boca e pescoço. A dor era tanta que o resto do meu corpo estava dormente.
            Ele puxou a maleta para mais perto. Fechei meus olhos. Respirava fundo tentando pensar em como escapar... Aquilo era pior que a maldita mão de zumbi agarrando meus pés! Senti algo gelado encostando em meu seio, abri os olhos. Um bisturi. Gotas de sangue começaram a brotar sobre minha pele. Ele sorria. Estava sem camisa... À medida que as pequenas gotas escorriam sobre meu seio, e depois costelas, o homem passava o dedo recolhendo o sangue, e em seguida passava em seu próprio peito. Tinha feição de desejo, e gemia alto. Então sentou-se por cima de mim, abrindo o cinto. Eu chorava silenciosamente, mas não podia, não conseguia fazer nada. Então ele tirou de debaixo do colchão um revólver, deixou-o ao lado da maleta. E agora sério disse com a face colada a minha.
            -- Olha garota, eu não irei te matar. Deixe-me ter um pouco de diversão, e então eu lhe deixo partir. Mas qualquer gracinha sua, minha amiga aqui está engatilhada e louca para vomitar uma bala na sua testa.
            Tentei me mexer, mas imediatamente ele pegou a arma e direcionou na minha testa.
            -- Minha florzinha, eu arranquei suas cordas vocais, não seus tímpanos. Acho que me ouviu bem não? Agora, fique quietinha e deixe-me brincar.
            Arrancou o cinto e fez o mesmo com as calças. Meus seios estavam dilacerados. Minha barriga era o novo brinquedo. Ele fazia cortes profundos e quanto mais o sangue jorrava, mais algo gemia. Passava seu peito sobre minha barriga e seio ficando então encoberto de sangue. Do meu sangue. Aproximou sua face da minha, olhando fixamente em meus olhos cheios d'água. Senti sua respiração perto de minha boca, então ele me beijou. Num ato desesperado, o mordi com toda a força que me restava. Soltou um grito. Agora ambos estávamos com a boca sangrando. Passando a mão sobre seu lábio viu que agora o sangue dele se misturava com o meu. Sorriu.
            -- Que sádica você mocinha... Mas quem proporciona dor aqui sou eu.
Então tirou outro bisturi da maleta e aproximou do meu rosto. Cortou minha bochecha. Eu sentia o líquido quente escorrer. Ele foi passando vagarosamente o bisturi pelo meu pescoço, seio, barriga, coxas, até chegar à minha virilha. Eu soluçava e engasgava com meu próprio sangue. Aprofundou o bisturi lá cortando até parte de minha coxa. Eu queria gritar. Mas a dor em minha garganta me impedia. O corte também doía muito, sentia como se meu coração pulsasse na minha virilha, mas meu corpo estava dormente ainda, eu só sentia minha garganta e agora o corte profundo... Os outros cortes só me faziam sentir o sangue escorrendo. Queria sair dali... Mas se saísse o que diria aos meus pais? Eu me sentia suja... Imunda... Uma porca imunda. A cada movimento do corpo dele sobre o meu eu me sentia necrosando. Estava apodrecendo viva... Era melhor morrer! Comecei a desejar que ele me matasse logo. Então tentei chuta-lo. Inútil. Ele novamente pegou o revólver e encostou na minha testa.
            -- Pare de gracinha.
Gesticulei com a boca "me mate". Ele gargalhou.
            -- Como é? Me Mate? Foi isso que eu entendi? Não, não vou te matar. – Ele ria alto -- Não ainda. Não sou necrófilo querida.
Eu tinha hemorragias. Logo morreria. Rezava para morrer logo. Tinha medo de que o pior ainda estava por vir. E eu estava certa.
            Por fim, ficou nu. Gemia e se masturbava com as mãos pingando sangue.
Debruçou-se sobre mim. Eu estava com as pernas amarradas juntas o que o impedia de me violentar daquela forma. Infelizmente ele logo percebeu isso. Levantou-se calmamente, desamarrou meus pés. Tentei acertar-lhe outro chute, mas já havia perdido muito sangue, estava fraca. Ele segurou com facilidade minha perna e as amarrou novamente. Agora, abertas. Eu chorava e gesticulava com os lábios "me mate, por favor, me mate" Ele ria. Debruçou-se novamente sobre mim. Agora tinha acesso total ao meu corpo nu. O que senti foi estupidamente doloroso e humilhante. Sentia como se minha bacia estivesse sendo quebrada ao meio. Como se ele estivesse cortando-me por dentro. Pior que a dor física, era o nojo que eu sentia, nojo dele e nojo de mim mesma. Eu me sentia cada vez mais imunda, perdi a vontade de lutar por minha vida, eu não merecia viver. Estava suja, SUJA! O que pensariam de mim? O que meus pais pensariam? O que Matheus pensaria? Estúpida imunda! Mas, ele não parava. Perdi completamente a força. Minha visão escurecera e os gemidos, antes altos, agora me pareciam baixos e distantes. Meu corpo tremia. Eu só conseguia pensar em como queria que aquilo acabasse. Como queria que tudo acabasse... Inclusive minha vida. Não tinha mais forças nem pra chorar. Fechei os olhos e deixei que minha cabeça despencasse para o lado, como se tivesse desmaiado. Levei um tapa.
            -- Não durma! -- Disse em meio a gemidos
            Notei outra coisa, o cheiro era horrível. O suor, misturado com o cheiro do sangue, e aquele cheiro de... Era um cheiro que eu não sabia distinguir... Era como se fosse cheiro de... Sexo. Mas eu não sabia dizer... O cheiro insuportável do corpo dele roçando o interior do meu. Embrulho-me o estômago. Novamente fiquei tonta... Tudo girou, como quando papai me girava pelos braços e depois me punha de pé... Mas, papai estava morto... Este pensamento atingiu-me no peito e uma lágrima escorreu pela minha face.
Mas, a dor era insuportável, tinha perdido muito sangue, estava sendo violentada, o fantasma de meu pai me assombrava... Não suportei mais. Desmaiei.

            Acordei 3 dias depois, em um quarto de hospital. Olhei para o lado, minha mãe segurava minha mão chorando quando percebeu que eu acordara. Abraçou-me e chamou o médico.

            Um homem de aparentemente 35 anos, alto, pele alva, cabelos negros bem penteados, e olhos castanhos esverdeados. Mamãe abraçou-o agradecendo por tudo e sorrindo para mim. É, mamãe se interessou por ele.