Em um mundo de palavras que soam como musica, e são tão reais quanto seus sonhos, existe um castelo onde todas as histórias se reúnem para um chá das 5... O que está esperando? Você é o convidado especial.
sábado, 11 de agosto de 2012
Distração
Saiu de casa, era cedo. A leve neblina a impedia de ver o topo dos prédios, e fechava como uma cortina clara e fria o fim da rua. Só os passos dela podia se ouvir. Tirou seus fones de ouvido do bolso. Antes que pudesse coloca-los e entrar em outra dimensão, um estrondo ao seu lado a fez pular de susto. Era apenas aquele velho cachorro chato com a fuça no portão... A manhã estava estranha... Olhar para frente. Continuar a andar. A neblina continuava a cair como açúcar. Dois grandes faróis, cortaram a cortina branca. Colocou seus fones e a sinfonia de guitarras desesperadas ecoou em sua mente. Anda sobre a linha de tinta no chão. Os faróis iluminam ao longe o seu esguio corpo. Distração. Pensava no que diria ao garoto bonito da escola quando ele se aproximasse... Na prova de literatura... Distração. Cantarolava baixinho a letra confusa da musica. Andava devagar. Olhos fechados e ritmo marcado. Os faróis avançavam em sua direção. Distração. Cada vez mais perto. Um barulho cortou a harmonia de seus instrumentos. Os faróis estavam perto demais. O sangue voou e manchou a rua, enquanto as guitarras continuavam a gritar desesperadamente.
Cúmplice Lua.
Deitam-se sob a luz do luar. Olhares apaixonados, juras impossíveis de amor. Os coraçõezinhos batem em perfeita harmonia. Os dedos encaixam-se sistematicamente, perfeitamente. Parecem um só. As palavras baixinhas e tremulas ecoam pela escuridão da noite. Apenas a Lua é cúmplice desse amor juvenil. Os corações aceleram... Os corpos sujos de terra, as camisas molhadas de suor. Era uma noite quente de verão. As palavras voavam com a leve brisa que esvoaçava o cabelo da garota e a fazia parecer um anjo aos olhos do menino. No céu apenas a Lua solitária, Lua cheia e solitária. "O que houve com as estrelas?", "foram dormir?", "Uma vez minha mãe me disse que quando uma estrela some, ela vira uma pessoa.", "então eu era uma estrela que se apaixonou por você e virou eu pra vir ficar com você..."Risadas e silêncio. Um amor simples, puro, ingênuo. Palavras que apenas a Lua escutaria. Pequenas promessas ao pé do ouvido. Olham-se. Olham-se e os olhares dizem coisas que apenas o coração é capaz de entender. Os corações pulam, aceleram, gritam... As faces se aproximam... Olhos nos olhos. Vergonha. Medo. Amor. As faces ficam cada vez mais próximas. A Lua observa encantada. Finalmente os pequenos lábios se encontram no mais profundo gesto da paixão.
Quando?
Quando seu coração parar de bater, quando você pensar em se esconder, Olha para o lado e irá me ver. Quando você não sentir mais o seu coração, quando você se ver dentre a escuridão, Deixe-me segurar tua mão? E se você se sentir sozinho, se precisar do meu carinho, saiba que nos meus braços você sempre encontrará um lugar para sempre ficar. Quando sentir o céu cair, se pensar em desistir, e seu choro tiver que engolir, ao teu lado eu estarei e forças eu te darei. Se você quiser abrigo, se precisar de um amigo, se quiser sair da escuridão, segure minha mão? Quando você se sentir caindo, E sua lágrima escorrer, não tente se esconder, Olhe para o lado e você irá me ver.
(Des)Ilusões
Quarto escuro. Breu. Olhos abertos ou fechados não faz diferença. Continua a ver os rostos com que sonhara. Fechou e abriu os olhos, a escuridão era a mesma. Que horas seria? Não importa, é domingo. Os rostos voltaram a voar sobre sua cabeça. Os olhos reviravam, o coração disparado, seu corpo suava. Na cama ainda úmida, sentiu novamente o medo. O estranho medo daquele antigo pesadelo, aqueles rostos o atormentava durante toda a infância, mas por que voltar agora? Já era um homem! Não se prendia mais às rédeas que o controlavam quando jovem. Hoje era um homem livre. Nenhum temor o assombrava há tempos... Então por quê? Por que voltar agora? Por que aqueles rostos o faziam tremer novamente? Um feixe de luz saiu pela janela direto em sua testa, a claridade o forçou a fechar os olhos como quem diz "Vamos enfrente o seu medo!" Os rostos iam e vinham, iam e... Ele forço os olhos, não queria mais ver aquilo, mas queria saber o que aconteceria a seguir. Os rostos - que iam e vinham - se misturavam com pensamentos fúteis do dia a dia, que se ligavam por fios de prata a lembranças da bela moça da noite passada, e ligavam-se as tristes lembranças de sua infância. História sem fim, piada sem graça, desenho sem cor... Entre suas (des)ilusões e devaneios, ouviu delicados passos adentrarem no quarto, em seu mundo de medo e devoção. Quase num ato desesperado saltou da cama, mas era só a bela moça da noite passada, que logo o fez esquecer de seus pesadelos.
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